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26.º Festival Nacional de Robótica | RoboCup Portugal Open - Barcelos 2026

26.º Festival Nacional de Robótica | RoboCup Portugal Open – Barcelos 2026 

Entre os dias 23 e 25 de abril de 2026, Barcelos voltou a afirmar-se como um dos grandes palcos nacionais da inovação tecnológica, ao receber a 26.ª edição do Festival Nacional de Robótica.

Mais do que uma competição, o evento é o coração do RoboCup Portugal Open, funcionando como uma etapa determinante de apuramento para as competições internacionais que mobilizam equipas de todo o mundo.

O grande destino está já definido: o RoboCup Internacional, que terá lugar em Incheon, na Coreia do Sul, entre 30 de junho e 6 de julho de 2026. No caso das equipas mais jovens, o olhar aponta também para o European RoboCup Junior, marcado para Viena, na Áustria, entre 3 e 6 de junho.

Portugal aposta na robótica de competição desde 2001 e, desde então, o panorama tecnológico nacional sofreu uma transformação evidente. “Dos apenas 180 participantes do ano passado na Madeira, passámos para mais de 400 inscritos nesta edição”, afirma Fernando Ribeiro, Professor da Escola de Engenharia da Universidade do Minho. Um crescimento que aproxima novamente o evento dos seus anos de ouro, entre 2006 e 2012, quando chegou a ultrapassar os 900 participantes.

Mas o Festival Nacional de Robótica não é apenas uma montra tecnológica. É também um espaço de formação e inspiração para novas gerações. Professores e mentores sublinham a importância destas iniciativas para aproximar os jovens da ciência e da engenharia, num ambiente onde o conhecimento se transforma em prática.

Os participantes não aprendem apenas a programar. Aprendem a trabalhar em equipa, a gerir problemas em tempo real e a lidar com o erro, parte inevitável de qualquer processo de inovação. Por trás de cada robot há horas de ensaio, falhas repetidas e melhorias constantes, até que a máquina consiga executar aquilo que, à primeira vista, parecia impossível.

Com os olhos postos no futuro, Portugal reafirma em Barcelos que, apesar de competir com países que já estão na vanguarda mundial, a robótica nacional mantém uma base sólida e um potencial de crescimento evidente.

O Norte como motor tecnológico

A distribuição geográfica das equipas revela uma assimetria clara. Atualmente, a maioria dos participantes concentra-se no Norte, com grande presença nas regiões de Coimbra, Aveiro, Porto e Minho. Parte desta dinâmica explica-se pelo efeito multiplicador de iniciativas como a RoboParty, onde alunos constroem os seus próprios robots e levam consigo o conhecimento e o hardware para as suas escolas. Esse contacto inicial acaba, muitas vezes, por criar a “semente” que dá origem a novas equipas e a participações futuras no RoboCup Portugal Open.

Uma festa da tecnologia

O festival é descrito por alguns dos participantes como uma verdadeira “festa” da ciência e da tecnologia. O ambiente competitivo convive com uma cultura de partilha: as equipas trocam ideias, discutem soluções e observam o trabalho umas das outras. É essa abertura que torna o evento particularmente valioso, não apenas como competição, mas como espaço de aprendizagem acelerada.

A estreia dos humanoides e a robótica de serviço

A edição de 2026 ficou marcada por novidades importantes nas ligas Major. Uma das competições que mais atraiu atenções foi o Humanoid Soccer, com robots humanoides a disputar partidas num cenário que, há poucos anos, parecia reservado apenas a grandes potências tecnológicas. “No ano passado, não contávamos com equipas portuguesas com humanoides; este ano, elas já estão aqui a competir”, comenta o Professor Fernando Ribeiro, visivelmente satisfeito com a evolução registada.

Outra liga que ganhou destaque foi a RoboCup@Home, centrada em robots de serviço capazes de executar tarefas domésticas, interagir com o ambiente e responder a desafios do quotidiano.

Nas ligas júnior, algumas das provas mais concorridas foram a Busca e Salvamento – Labirinto, a OnStage e a Soccer Junior, com escolas de várias regiões a demonstrarem um nível crescente de preparação e criatividade.

Desmistificando o boom da inteligência artificial

Apesar de a Inteligência Artificial dominar o debate público, para quem trabalha em robótica não se trata propriamente de uma novidade. “Utilizámo-la há sete ou oito anos, muito antes do boom dos atuais modelos de linguagem”, explicam fontes ligadas ao evento. A diferença está, sobretudo, na capacidade de processamento: os equipamentos atuais permitem que robots como o Charmie executem tarefas complexas que, até há pouco tempo, pareciam ficção científica.

Um dos desafios deste ano ilustra bem esse salto tecnológico: dobrar uma peça de roupa. Uma tarefa simples para um humano, mas extremamente exigente para um robot. “Talvez ninguém consiga este ano, mas é precisamente esse desafio que torna possível alcançar o objetivo no próximo”, admite Fernando Ribeiro, sublinhando que o progresso na robótica é feito de pequenas conquistas acumuladas.

por Isabel Martins

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