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Da Indústria 4.0 à Indústria 5.0

Da Indústria 4.0 à Indústria 5.0

Sabe o que é a Indústria 4.0? Qual a diferença entre a Indústria 4.0 e a 5.0? A sua empresa tem o que é necessário para chegar à Indústria 5.0?

Há mais de 300 anos que a indústria está em constante desenvolvimento e evolução, começando em 1765 com a Primeira Revolução Industrial em Inglaterra e que se caraterizava pela mecanização dos processos industriais que, anteriormente, eram totalmente manuais. O carvão começou aqui a ser utilizado como fonte de energia.

Cerca de 100 anos mais tarde, mais concretamente em 1870, surgia a Segunda Revolução Industrial, marcada pela eletricidade e pelo petróleo como fontes de energia. Também surgiram nesta época as indústrias químicas e de aço, os modelos de organização de produção criados por Taylor e Ford, e ainda os automóveis, telefones e rádios. Tudo isto ajudou a desenvolver a indústria, e os lucros e a produtividade tiveram ganhos inacreditáveis.

E por volta de 1969 surgia a Terceira Revolução Industrial onde a tecnologia ganhou mais espaço com o desenvolvimento de equipamentos eletrónicos, computadores e telecomunicações.

Em 2011 surgia a Quarta Revolução Industrial, mais conhecida como Indústria 4.0, e que se caraterizava por indústrias mais conetadas, uma elevada utilização de dados, uma maior produtividade e eficiência nas indústrias. Tudo tendo como objetivo reduzir falhas e otimizar os processos. A Indústria 4.0 premiou a utilização da robótica e da tecnologia.

E mais recentemente, devido à mudança de processos, surgiu a Indústria 5.0 que se carateriza pelos processos automatizados e conetados e onde há uma grande valorização da conexão entre seres humanos e máquinas.

Os pilares da Indústria 4.0

A Quarta Revolução Industrial é conhecida pela entrada da tecnologia e automação que modernizam os processos produtivos na indústria, garantindo uma maior produtividade e eficiência. Surgem máquinas inteligentes e interconetadas entre si que trabalham com pouca interferência humana mas muita tecnologia, exigindo muito investimento e uma transformação completa com muita inovação.

A Indústria 4.0 destaca-se pela utilização de big data, robots autónomos, simulação, integração de sistemas, Internet das Coisas, cibersegurança, computação na cloud, Impressão 3D e realidade aumentada. Mas vejamos tudo isto mais em pormenor:

1. Big data

Esta é uma tecnologia que permite que dados de diferentes fontes sejam organizados e analisados de forma automática, permitindo assim que a indústria fique menos dependente do Homem. Depois dos dados recolhidos durante o processo produtivo é possível evitar ou identificar falhas porque os gestores conseguem tomar decisões mais assertivas, e a qualidade da produção é mantida num standard adequado.

2. Robots autónomos

A partir da inteligência artificial, os robots conseguem agir de forma inteligente sem necessidade de supervisão humana. E com estes robots autónomos verifica-se uma redução nos custos. A somar a isto também existem processos mais delicados e demorados que podem ser feitos por estes robots de uma forma mais ágil e rápida.

3. Simulação

Conseguir simular processos produtivos e mudanças na instalação industrial é uma grande vantagem da Indústria 4.0 porque permite identificar problemas e necessidades de melhoria. Desta forma evitam-se avarias e consequentes paragens, e poupa-se nos gastos das reparações.

4. Integração de sistemas

Recolher dados de diferentes fontes e partilhar informações em tempo real são algumas das vantagens da indústria ter integrado os seus processos, departamentos e sistemas num só local. Desta forma é possível criar análises mais assertivas e promover a inovação nos processos.

5. Internet das Coisas

Em todos estes processos a ligação à Internet é imprescindível, por isso exige-se que os equipamentos, as estações de trabalho e os sensores estejam sempre ligados à rede.

6. Cibersegurança

Como está tudo ligado à Internet é importante que a ligação seja segura. Os riscos de não utilizar este tipo de sistema são grandes e podem prejudicar a empresa em caso de perda de dados, e os servidores e o armazenamento de dados podem ainda ser invadidos por hackers.

7. Computação na cloud

É muito importante porque é a partir desta que a partilha na cloud permite que as pessoas possam aceder às informações em tempo real e a partir de qualquer local. Ou seja, um operador de máquina pode incluir dados no sistema e o seu supervisor pode aceder a esses mesmos dados em tempo real e a partir de qualquer local do mundo.

8. Impressão 3D

Garante que as peças e os produtos personalizados sejam criados para responder a uma necessidade da Indústria 4.0. Podemos criar a partir da Impressão 3D um produto mais leve e mais resistente.

9. Realidade aumentada

Está relacionada com a mistura entre conteúdo físico e conteúdo digital, e podemos utilizar esta tecnologia para melhorar a gestão das máquinas, por exemplo. Com esta tecnologia os técnicos conseguem avaliar problemas a partir de orientações digitais e até mesmo, em realidade virtual.

E chegamos à Indústria 5.0

As empresas ainda se estão a adaptar à nova era, à Indústria 5.0, mas ela já está implementada nas empresas que já perceberam que a tecnologia é importante mas que a presença humana acrescenta algo fundamental e não deve ser descurada. É crucial para a indústria que as máquinas e os humanos trabalhem juntos para facilitar os processos produtivos, e garantir produtos de elevada qualidade. O objetivo passa sempre por garantir inovação e personalização dos produtos, mas mantendo sempre a agilidade e eficiência nos processos produtivos. Assim sendo, podemos dizer que a Indústria 5.0 destaca-se pela interconexão, suporte cognitivo, personalização e toque humano.

Vejamos de seguida os 4 grandes pilares da Indústria 5.0 que foram definidos segundo o japonês Council for Science, Technology and Innovation (CSTI):

  1. Promover ações para criar um novo valor para o desenvolvimento da futura indústria e transformação social;
  2. Responder aos desafios económicos e sociais;
  3. Reforçar os fundamentos da Inovação Científica e Tecnológica;
  4. Estabelecer um ciclo virtuoso sistémico de recursos humanos, conhecimento e capital para inovação.

Muitos defendem que a Indústria 5.0 refere-se à colaboração do trabalho humano ao lado de robots e máquinas inteligentes, ajudando num trabalho mais rápido e melhor e aproveitando tecnologias avançadas como a Internet das Coisas e o Bid data. Surgem neste contexto os cobots, colaboração entre homem e robots.

Os robôs colaborativos são exatamente as ferramentas de que as empresas precisam para produzir produtos mais exigentes e que respondam às necessidades dos consumidores. Os cobots permitem trazer o toque humano às produções em massa, aprimorando a habilidade humana com a velocidade, exatidão e precisão necessárias para fazer produtos modernos com um toque humano. Eles são ferramentas que fornecem aos trabalhadores humanos “super poderes” em termos de velocidade e precisão. Isso é o que é preciso para fazer produtos manufaturados industrialmente com um toque afetivo.

Existem 3 grandes vantagens da Indústria 5.0: otimização de custos (com humanos e máquinas a trabalhar em conjunto é mais fácil identificar onde é possível reduzir custos com processos simplificados, decisões mais assertivas e análises de problemas com uma maior eficiência), preocupação com o meio ambiente; personalização e toque humanos (processos mais humanizados para garantir a criação de produtos mais personalizados).

Está preparado para a Indústria 5.0?

Para estar preparado para a Indústria 5.0 há 3 elementos chave que deve compreender:

1. Indústria 5.0 apoia mas não substitui os humanos

Não confunda a robótica e os robots com a oportunidade de eliminar trabalhadores. Embora os robots sejam mais consistentes e melhores no trabalho de precisão, os humanos são mais resilientes e têm um pensamento crítico, importantes em qualquer trabalho.

2. Equilíbrio entre eficiência e produtividade

Interconetar máquinas, processos e sistemas para otimizar o desempenho é o objetivo da Indústria 4.0, ao contrário da Indústria 5.0 que leva esta eficiência e produtividade um pouco mais longe, melhorando as interações colaborativas entre humanos e máquinas.

3. O progresso da Indústria 5.0 é inevitável

Uma empresa não deve ficar totalmente dependente da tecnologia, devendo analisar que os sistemas são vulneráveis ​​a riscos sistémicos como colapso total da rede. Por isso, a colaboração entre a capacidade humana e a digital é essencial.

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