Atravessar as portas do pavilhão desportivo do Campus de Azurém da Universidade do Minho para participar num certame de robótica pode já não ser novidade para alguns. No entanto, para Simão Antunes é a primeira vez. Tem 11 anos e é um dos participantes mais jovens da RoboParty 2024.
Acompanhado pelos seus professores e colegas, Simão chegou ao recinto da RoboParty às 10h do primeiro dia. Só iria embora duas noites depois, embarcando na experiência a 100%, representando também a primeira vez que dormia fora de casa e longe dos pais. A primeira reação, confessou Simão, foi de atrapalhação. “Não sabia que era tão grande. Quando descobri que tinha tantas atividades, fiquei mais entusiasmado”. O jovem, que para além da robótica também gosta de música e de tocar trompete, teve a oportunidade de ouvir a Tun’Obebes e a Afonsina, tunas da Universidade do Minho, ao vivo e de experimentar coisas novas como tiro com arco, uma das atividades paralelas que decorreram durante o certame.
“Estou a gostar bastante”, confessou Simão, que se fazia acompanhar por mais 5 colegas e amigos e 2 professores, representando duas das 111 equipas que se juntaram durante 3 dias e 2 noites na universidade em Guimarães, em março. Munida de sacos cama e um computador, a equipa de Simão veio para construir um robot móvel autónomo de uma forma simples e animada.
É essa a premissa da RoboParty, desde a sua criação. Quem o diz é Fernando Ribeiro, organizador do evento. “O evento não é competitivo. É educacional, para os ensinar a construir um robot. Os participantes trabalham noite adentro, com muita alegria e boa disposição. Quem cede ao cansaço descansa em camas disponibilizadas para o efeito no próprio local, numa área do pavilhão denominado RoboHotel”, explicou, acrescentando que “cada mesa tem 4 equipas e cada equipa tem de construir o seu robot com os componentes do Bot’n Roll ONE A que é fornecido. No primeiro dia constroem o robot e programam-no. No segundo dia começam os desafios. São quatro. Opcionais. Só vai quem quer, mas todos querem ir”, admitiu.
No que diz respeito ao alinhamento da RoboParty, a estrutura do programa vai-se mantendo coesa ao longo das edições, mas existem sempre novidades. A deste ano foi a apresentação de um novo robot, com uma Raspberry Pi, que permite a utilização de câmaras, wi-fi, Bluetooth e muito mais, apresentado por Ascension Vizinho-Coutry, representante europeia da MathWorks, que deu ainda uma formação sobre MatLab e Simulink aos presentes. Para além desta formação, o certame contou ainda com outras duas, pensadas para ajudar os participantes a montarem os seus robots: uma sobre “Construção da placa controladora e soldadura de componentes eletrónicos” e outra sobre “Programação de robots Arduíno
IDE”.
“Gosto muito de construir. Foi fixe trabalhar em equipa. Às vezes fazemos as coisas erradas, mas depois arranjamos”, contou Simão. A sua paixão pelo mundo da robótica que o levou até à RoboParty começou em casa. “O meu pai costuma fazer isto. Fico interessado e tento fazer”, disse. Esse interesse evoluiu e, graças a um amigo que disse que “era fixe”, juntou-se à variante de robótica do CCV – Clube Ciência Viva em Ponta da Barca, onde conheceu o professor de Educação Tecnológica Rui Gomes da AEPB (Agrupamento de Escolas de Ponte da Barca), que tomou a iniciativa de trazer alguns dos seus alunos ao evento de robótica. O objetivo, segundo o professor, é “meter-lhes o bichinho da robótica, tendo em conta a importância que tem e vai ter no futuro”. “Quanto mais cedo espalharmos isso, mais as crianças abrem os horizontes para vertentes que o ensino tradicional não ia apresentar”, explicou Rui Gomes, dando exemplo de engenheiros da Bosch que “nasceram” nos seus clubes.
por Sara Lopes
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