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Robótica: passado, presente e perspetivas para o futuro

Robótica: passado, presente e perspetivas para o futuro

Desde há milhares de anos que o homem sonhava com a possibilidade de ter máquinas capazes de o substituir na realização de tarefas pesadas ou penosas para si próprio. O filósofo Grego Aristóteles, que viveu no Séc. IV a.C., apesar de não ter tido discussões diretas sobre robots (uma vez que o conceito de robots, como os conhecemos nos dias de hoje, ainda não existia à data) discutiu nas suas obras conceitos relacionados com a automação, os seres artificiais e a divisão do trabalho, que podem estar tangencialmente relacionados com as discussões sobre a substituição do trabalho humano por máquinas.

Assim, no seu tratado “Politica” ele discutiu a ideia de objetos e mecanismos autónomos que poderiam, em certa medida, imitar os seres vivos, escrevendo: “se toda ferramenta, quando ordenada, ou mesmo por sua própria vontade, pudesse executar o trabalho que lhe condiz, … Então não haveria necessidade de aprendizes para os mestres ou escravos para os senhores” [1]. Apesar de as suas discussões serem mais filosóficas e especulativas do que práticas, dão a entender o antigo fascínio pela ideia de criar vida artificial ou seres que pudessem executar tarefas de forma autónoma.

No entanto, foi só em 1961 que este desejo do Homem foi concretizado com a introdução do primeiro robot industrial, o Unimate, numa linha de montagem de automóveis de uma fábrica da General Motors, nos Estados Unidos da América. Obedecendo a comandos passo-a-passo armazenados num tambor magnético, este robot Unimate sequenciava e empilhava peças quentes de metal fundido [2].

Nos anos seguintes assistiu-se a uma grande proliferação de robots industriais [2]. A sua introdução visou essencialmente substituir os trabalhadores humanos nas tarefas designadas, na terminologia Anglo-Saxónica, por 4D: dirty, dulll, dumb, dangerous (tarefas sujas, chatas, estúpidas e perigosas). Estes equipamentos foram melhorando em caraterísticas técnicas e desempenho, atingindo velocidades cada vez maiores, dispondo de maiores capacidades de carga e, tudo isto, com repetibilidades cada vez melhores. No entanto, aquilo que era talvez a imagem de marca destas células robóticas era a necessidade de trabalharem separados dos seres humanos, através de vedações e cancelas de segurança, como se pode ver na Figura 1.

Célula robótica com manipuladores industriais, com as barreiras de proteção visíveis no primeiro plano (fotografia gentilmente cedida pelo Eng. Guilherme Cardoso (JPM Industry)).
Figura 1. Célula robótica com manipuladores industriais, com as barreiras de proteção visíveis no primeiro plano (fotografia gentilmente cedida pelo Eng. Guilherme Cardoso (JPM Industry)).

Na primeira década deste século foram introduzidos no mercado da robótica os chamados robots colaborativos, ou cobots, muitas vezes publicitados como apresentando a grande vantagem de poderem trabalhar lado a lado com os seres humanos, sem a necessidade de barreiras de segurança a separá-los. No entanto, convém referir que o robot em si mesmo é apenas uma parte da equação e que esta realidade só pode ser efetivamente concretizada se a aplicação em que o robot está aplicado permitir esta colaboração. A título de exemplo, um robot colaborativo que manipule, por exemplo, uma lâmina ou uma tocha de soldadura, nunca poderá trabalhar lado-a-lado com um operador humano sem a existência das necessárias medidas de proteção.

Manuel F. Silva
Instituto Superior de Engenharia do Porto, Instituto Politécnico do Porto & INESC TEC

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