No passado dia 23 de outubro, a sede da F.Fonseca, em Aveiro, reuniu dezenas de profissionais das áreas da automação, manutenção, Information Technology (IT), Operacional Technology (OT) e engenharia industrial num evento técnico e prático da Mitsubishi Solutions.
Nesta 2.ª edição da Mitsubishi Solutions promoveu-se a partilha de conhecimento, com demonstrações práticas bem elucidativas das capacidades e funções de determinados produtos e soluções, e decorreu ainda um debate sobre a urgência das indústrias e empresas portuguesas se protegerem dos ciberataques e das suas consequências.
Mais do que mostrar tecnologia, neste dia foram criadas experiências que marcam, inspiram e fazem a diferença no dia-a-dia dos profissionais da indústria. Da parte da manhã tivemos uma mesa redonda com Hernani Rodrigues, Especialista em Segurança de Máquinas na F.Fonseca; Jan Puig, Sales Manager da Mitsubishi; Pedro Vieira, especialista em cibersegurança, investigador no OSINT, orador e formador; Xavier Cardeña, Global Market Manager na HMS na área da conetividade industrial. A moderação foi de Lénia Matos.
“É urgente cumprir as exigências de cibersegurança da EU”
Pedro Vieira deu o mote começando por explicar os conceitos de IT, cujo objetivo passa pela confidencialidade, e o OT que trabalha para que as máquinas não parem. São conceitos importantes na área da cibersegurança e que ganham uma importância cada vez maior à medida que os ataques digitais e industriais têm aumentado, com enormes prejuízos.
Segundo o mais recente relatório da Kaspersky ICS CERT, Portugal destaca-se na Europa pela sua elevada taxa de bloqueio de ciberataques a sistemas industriais. Segundo dados divulgados, no 2.º trimestre de 2025, 23,3% dos computadores industriais em Portugal bloquearam tentativas de ataque, demonstrando um investimento significativo em ciberdefesa. Mas, ainda há muito a fazer porque foi registado um aumento de phishing e spyware dirigidos a infraestruturas críticas.
Pedro Vieira identificou algumas lacunas existentes na segurança das empresas atualmente, relacionadas com os sistemas de controlo industrial que denotam vulnerabilidades evitáveis e que podem desencadear numa paragem de produção e consequente, custos desnecessários. Explicou o significado de ransomware que provoca a interrupção da produção e que pode desencadear prejuízos financeiros e perda de confiança do mercado. Mas como podemos prever os ciberataques? Pedro Vieira apontou a formação dos recursos humanos como sendo uma parte da solução, e a consultadoria como empresas reconhecidas na área.
Xavier Cardeña falou sobre a Diretiva NIS2, a nova legislação europeia que pretende reforçar a cibersegurança na União Europeia através da melhoria da resiliência, harmonização de requisitos e a implementação nos setores da energia, transportes, banca e saúde com medidas de segurança e multas em caso de incumprimento. Quem fornece e quem produz os produtos têm aqui uma responsabilidade fulcral de cumprir com a regulamentação. Cardeña apontou as novidades desta nova legislação como a abrangência de novos setores e entidades (públicas e privadas), a gestão da empresa passa a ter uma responsabilidade direta na cibersegurança, exige a implementação de medidas técnicas e organizacionais para gestão de risco, prevenção, deteção, resposta e recuperação de incidentes. As empresas devem ainda avaliar e mitigar riscos na sua cadeia de fornecimentos, devem reportar incidentes de cibersegurança às entidades competentes e as sanções serão mais pesadas.
Mas o que podemos fazer para aumentarmos a cibersegurança das nossas empresas? Xavier Cardeña apontou cinco conselhos simples: autentificação com multifator (exige duas ou mais formas de verificação de identidade), credencias padrão a cada 3 meses, senhas robustas, menor privilégio e gestão de Logs. Associado a isso deverá ainda haver um controlo robusto da segurança das redes, ao segmentar sistemas, desativar serviços, proteger contra software e autorizar dispositivos. Estes são alguns conselhos gerais e não direcionados a uma empresa ou indústria em específico.
Jan Puig, Sales Manager da Mitsubishi, chamou a atenção para a importância de repensar as arquiteturas e produtos para a indústria até porque há um novo regulamento de máquinas.
Showroom mostra soluções inovadoras que antecipam o futuro
No showroom foram mostrados vários produtos e soluções da Mitsubishi Solutions que reúne servodrives e motores para controlo de alta performance: a série MELSERVO-J5 (MR-J5) que oferece amplificadores de alta velocidade e precisão, com variantes que suportam interfaces avançadas e múltiplos eixos para máquinas compactas. Os motores EM-A são motores com um núcleo saliente desenhados para o controlo sensorless, otimizados para redução de volume/massa e eficiência IE5, o que os torna adequados para pares servodrive e motores eficientes. A família MELSERVO-JET (MR-JET) foca-se no controlo de precisão com integração em redes de alta largura de banda (como CC-Link IE TSN) para aplicações exigentes. Também foram mostradas versões MR-J5 EtherCAT (MR-J5-G-N1) que operam como os slaves EtherCAT, facilitando sincronização em redes em tempo real.
Também foi exposto o controlador programável MELSEC MX que oferece um sistema integrado de controlo que combina lógica, movimento e comunicação numa única plataforma, com uma elevada precisão e sincronização entre dispositivos. A sua compatibilidade com redes industriais como CC-Link IE e EtherCAT permite uma integração eficiente com servo-drives MR-J5 e MR-JET, otimizando a automação e o desempenho global das máquinas.
Foi ainda montado um demonstrador com sensores com um nível de deteção muito elevado e que param caso os profissionais se aproximem a uma determinada distância. Neste demonstrador foram integrados servo drive MR-J5 e motor EM-A, um servo que antecipa o movimento antes de este acontecer, e um motor com uma elevada eficiência energética e performance de última geração.
Sessões técnicas: inovação e segurança em ação
A tarde foi dedicada a duas sessões técnicas conduzidas por especialistas da F.Fonseca e da Mitsubishi Electric, que aprofundaram os temas da segurança funcional e do controlo inteligente e ciberseguro em ambiente industrial. Estas sessões permitiram aos participantes explorar de forma prática as mais recentes tecnologias aplicadas à automação e ao controlo, com espaço para perguntas e esclarecimento de dúvidas junto dos oradores.
A primeira sessão, intitulada “Segurança em movimento: MR-J5 e variadores Mitsubishi com EtherCAT” foi apresentada por Lluís Agulló, Marketing Manager na Mitsubishi Electric. O formador destacou o papel crucial da segurança funcional em drives, com enfoque nas gamas MR-J5 e FR-E800, que integram funções avançadas como Safe Torque Off (STO), Safe Stop (SS1/SS2), Safe Limited Speed (SLS) e Safe Brake Control (SBC). Estas funcionalidades garantem a proteção de pessoas e máquinas, reduzindo riscos operacionais e assegurando conformidade com normas internacionais como a EN ISO 13849-1 e a IEC 61508. Agulló salientou ainda a capacidade de integração dos equipamentos em redes industriais como EtherCAT, CC-Link IE TSN, CIP Safety e PROFIsafe, sublinhando os benefícios diretos para a indústria: maior disponibilidade operacional, redução de custos, cablagem simplificada e manutenção preditiva. Através de exemplos práticos, demonstrou-se como estas soluções permitem aumentar a segurança e a eficiência em aplicações como robótica industrial, linhas de produção automatizadas, sistemas de transporte e máquinas de embalagem.
A segunda sessão, intitulada “Novo MX-PLC: segurança cibernética no coração da automação” foi dinamizada por Bruno Silva, técnico de automação industrial na F.Fonseca. Esta apresentação centrou-se nos novos controladores lógicos programáveis MELSEC MX, que combinam controlo de sequência, movimento, rede e informação numa única plataforma de alto desempenho.
Com suporte até 256 eixos e comunicação em tempo real através da tecnologia CC-Link IE TSN, os controladores MX destacam-se pela sincronização de alta velocidade e pela compatibilidade com normas PLCopen®, que simplificam o desenvolvimento e a manutenção de sistemas complexos.
Bruno Silva abordou igualmente as funcionalidades de cibersegurança integradas, um tema incontornável na automação moderna. Os controladores incluem comunicação encriptada, autenticação de utilizadores, deteção de manipulação de programas e cumprem a norma IEC 62443-4-2, assegurando uma proteção robusta contra ciberataques e acessos indevidos. A sessão culminou com uma demonstração prática de comunicação encriptada, evidenciando a facilidade de implementação e a importância de integrar a segurança cibernética desde a base dos sistemas industriais.
O público acompanhou com interesse ambas as apresentações, que decorreram num ambiente participativo e de partilha de conhecimento. As sessões técnicas da tarde reforçaram a visão da F.Fonseca e da Mitsubishi Electric de que a inovação tecnológica deve caminhar lado a lado com a segurança e a resiliência digital das indústrias.
O dia terminou com um agradável momento de convívio num networking sunset, onde clientes, fornecedores e colaboradores brindaram ao sucesso desta iniciativa. Um encerramento perfeito para um evento que aliou tecnologia, conhecimento e proximidade, reforçando o compromisso da F.Fonseca em promover a inovação e a cibersegurança no setor industrial português.
por Helena Paulino
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