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Importância da segurança na robótica colaborativa

Importância da segurança na robótica colaborativa: requisitos técnicos e normativos para a integração industrial

Este artigo analisa os fundamentos técnicos da segurança em ambientes de colaboração homem-robot, focando-se na transição das barreiras físicas para sistemas de proteção ativa e integrada.

Explora os métodos de operação definidos pelas normas ISO e a necessidade crítica de uma avaliação de risco centrada na aplicação total, garantindo que a coexistência produtiva não comprometa a integridade física do operador.

1. O paradigma da robótica colaborativa (cobots)

Tradicionalmente, a robótica industrial baseou-se no isolamento: robots de alta velocidade e elevada carga útil operavam em células fechadas por barreiras físicas (vedações). A introdução da robótica colaborativa alterou este paradigma, permitindo que humanos e máquinas partilhem o mesmo espaço de trabalho. No entanto, a ausência de barreiras físicas transfere a responsabilidade pela segurança ao próprio sistema robótico e aos dispositivos de deteção periféricos.

Tecnicamente, é vital distinguir entre um “robot colaborativo” (o hardware) e uma “aplicação colaborativa” (o sistema completo, incluindo o robot, a ferramenta de extremidade – end-effector – e a peça manipulada). Um robot classificado como colaborativo pode tornar-se perigoso se, por exemplo, estiver a manipular uma peça afiada ou a operar a velocidades que excedam os limites biomecânicos humanos.

2. Os quatro métodos de operação colaborativa (ISO/TS 15066)

A norma ISO/TS 15066 define quatro métodos principais para permitir a interação segura entre humanos e robots:

  1. Paragem Monitorizada de Segurança (Safety-Rated Monitored Stop – SMS): o robot interrompe o movimento assim que um humano entra no espaço de colaboração. O robot mantém-se energizado, mas o movimento é parado de forma segura. O trabalho apenas recomeça quando o operador sai da zona.
  2. Guia por Mão (Hand Guiding – HG): o operador controla o movimento do robot através de um dispositivo manual. A segurança é garantida pela monitorização da velocidade e pelo controlo direto do utilizador, sendo comum em tarefas de aprendizagem por demonstração ou assistência no levantamento de cargas.
  3. Monitorização de Velocidade e Separação (Speed and Separation Monitoring – SSM): este método utiliza sensores externos (como scanners laser ou sistemas de visão 3D) para monitorizar a distância entre o humano e o robot. A velocidade do robot é reduzida proporcionalmente à distância: quanto mais próximo o operador, mais lento o movimento, culminando numa paragem total se a distância mínima de segurança for violada.
  4. Limitação de Potência e Força (Power and Force Limiting – PFL): este é o método mais associado aos cobots. O sistema possui sensores internos (frequentemente sensores binários em cada articulação) que detetam o contacto físico. Se o robot colidir com um operador, os valores de força e pressão são limitados a níveis que não causam lesões, conforme tabelas biomecânicas rigorosas.

3. O desafio da “aplicação segura” versus “robot seguro”

Um erro comum na integração industrial é assumir que a aquisição de um robot colaborativo dispensa medidas de segurança adicionais. A segurança deve ser sempre avaliada no contexto da aplicação final.

  • A ferramenta (End-Effector): se um braço robótico colaborativo utilizar uma pinça com pontas afiadas ou um sistema de soldadura, a funcionalidade de limitação de força do braço pode ser insuficiente para evitar ferimentos graves.
  • A peça: o objeto transportado pode ser pesado, quente ou ter arestas cortantes, o que invalida a colaboração direta sem proteções adicionais.
  • O ambiente: elementos como mesas, pilares ou outras máquinas podem criar pontos de esmagamento onde o operador pode ficar preso entre o robot e uma superfície fixa.

4. Tecnologias de deteção e monitorização

Para viabilizar a colaboração, os sistemas dependem de uma arquitetura de controlo redundante e de dispositivos de deteção de alta fiabilidade. Scanners laser de segurança (como LiDAR) são fundamentais para definir zonas de aviso e zonas de paragem. Além destes, a utilização de “peles sensíveis” (sensores táteis capacitivos ou resistivos) e sistemas de visão baseados em inteligência artificial permite que o robot antecipe trajetórias humanas e ajuste o seu comportamento em tempo real, aumentando a fluidez da operação sem sacrificar a segurança.

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