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Luís Araújo da WEG Portugal

Luís Araújo: “A WEG Portugal existe para complementar, para ser o ‘algo mais’ da operação da WEG na Europa”

Luís Araújo assumiu a posição de Diretor Geral da WEG Portugal em abril de 2025, poucos meses depois da inauguração do novo parque industrial da empresa, em Santo Tirso. O que levou à expansão, quais os maiores desafios enfrentados, que inovações estão a ser implementadas e quais os objetivos para o futuro foram apenas alguns dos temas abordados pelos Diretor Geral em conversa com a revista Robótica.

Revista Robótica (RR): Quais foram os fatores que levaram à expansão e como é que ela se alinha com a estratégia global da WEG?

Luís Araújo (LA): A expansão teve início em 2015, com a construção da primeira fábrica. Na realidade, a presença da WEG em Portugal começou em 2002, com o objetivo de consolidar uma operação na Europa. Na altura, adquirimos uma empresa que possuía um portefólio de produtos que a WEG ainda não tinha e cuja integração foi vista com bons olhos. Esta aquisição permitiu o crescimento da WEG no mercado Oil and Gas. Aí, a WEG Portugal conseguiu cumprir o seu papel com distinção, conquistando market share. Assim, a fábrica da Maia acabou por se tornar pequena. A motivação para o crescimento foi clara: queríamos evoluir para produtos de maior dimensão, tanto ao nível da complexidade dos motores como da sua engenharia. Assim, construímos a primeira fábrica em Santo Tirso, que passou a ser a base de produção de motores de baixa tensão e também o nosso centro logístico, libertando espaço na Maia para produtos de maior dimensão e complexidade.

Continuamos a crescer, a desenvolver motores de maior complexidade e dimensão e começámos igualmente a agregar novos produtos das Unidades de Negócio: WEG Energia e WEG Automação.

Desta forma, o objetivo de construir este novo Parque Industrial foi criar uma infraestrutura moderna e realizar investimentos em equipamentos que nos permitissem continuar a crescer, quer pela agregação de mais portefólio, quer pelo aumento de volume.

RR: Quais foram os maiores desafios enfrentados durante o processo de expansão?

LA: A WEG tem imensos parques industriais no Mundo. Naturalmente, Portugal e a Europa não são nem o país, nem o continente, onde a economia cresce ou prospera de forma mais entusiasmante, nem onde os custos de produção são mais atrativos para qualquer indústria, seja ela de que tipo for. Por isso, o desafio consiste em tornarmo-nos sedutores para atrair investidores e a nossa mais-valia nesse processo é a equipa e a confiança que todos nós, aqui em Portugal, transmitimos ao grupo. O que nos diferencia são as pessoas e o nível de serviço que a WEG Portugal oferece. Dentro da nossa dimensão, somos a empresa do grupo WEG que melhor integra as várias unidades de negócio, dispondo de soluções sinérgicas desenvolvidas e comissionadas em clientes, únicas na forma como a WEG atua globalmente. Somos ainda a única empresa do grupo com uma linha de motores elétricos antideflagrantes totalmente desenvolvida e certificada a partir de Portugal. Nenhuma outra fábrica da WEG no mundo detém esta hegemonia num produto, o que nos confere uma identidade muito própria.

RR: Como é que esta expansão em Portugal fortalece a posição da WEG no mercado europeu?

LA: A grande força da WEG na Europa reside na atuação junto dos OEM’s. Produzimos grandes volumes para empresas fabricantes de equipamentos e máquinas, mas a nossa presença junto dos clientes finais continua a ser relativamente modesta. É precisamente nesse segmento que a WEG Portugal já se está a posicionar. Temos vindo a ganhar experiência e know-how na integração de soluções completas e na abordagem direta ao cliente final. O nosso lema é “add more”: a WEG Portugal existe para complementar, para ser o “algo mais” da operação da WEG na Europa. Não pretendemos ser uma operação de produção massificada. O nosso foco é a diferenciação e os nichos, em áreas como o nuclear, o marine, a sustentação das redes elétricas, baterias e mobilidade elétrica, áreas em que possuímos total competência. Por isso, a nossa abordagem passa por reforçar a presença em Portugal e Espanha e começar a consolidar uma equipa especializada, com capacidade de expansão futura.

Luís Araújo fala sobre a WEG Portugal

RR: Porquê a aposta em Santo Tirso? Quais são as principais oportunidades que a WEG prevê com uma maior operação a partir desta cidade do distrito do Porto?

LA: Quando iniciámos as primeiras avaliações em 2014, ninguém antecipava que viríamos para Santo Tirso. Explorámos várias opções nos arredores da Maia, mantendo-nos em zonas próximas por dois motivos: a proximidade do Porto de Leixões, fundamental para nós, dado que exportamos 90% da produção, e também a proximidade do aeroporto. Durante esta procura, conhecemos a empresa Garcia Garcia, uma construtora que tem contribuído significativamente para a dinamização imobiliária do concelho. Desde o primeiro contacto, sentimos um atendimento diferenciador, focado em procurar soluções adaptadas às nossas necessidades. Apresentaram-nos um anteprojeto sem qualquer compromisso, permitindo-nos rapidamente visualizar como seria a nossa unidade industrial. Para além disso, a recetividade da edilidade, através do Invest Santo Tirso, foi excecional, tanto pelas pessoas como pelo apoio prestado a investidores e empresas que aqui se querem instalar. A facilidade de comunicação com o Município é enorme e, sendo a nossa missão “crescer com sustentabilidade e com simplicidade”, identificámos semelhanças com a nossa própria identidade. Ao escolher Santo Tirso, percebemos também que estamos muito bem apoiados por instituições de formação profissional. Mantemos uma excelente relação com a Escola Tomaz Pelayo e com escolas profissionais que dão suporte à região, como o Cenfim, a Forave, a CIOR e a ATEC. Temos ainda uma ligação de longa data com a Universidade do Porto, que agora pretendemos estender à do Minho também.

RR: A responsabilidade social é levada com seriedade pela WEG. Agora com uma maior dimensão em Santo Tirso, como é que pretendem contribuir para o desenvolvimento da comunidade local e da economia da região?

LA: Numa primeira fase, estamos a contribuir com empregabilidade. Quando assinámos, em 2023, o Projeto de Interesse Municipal assumimos o compromisso de criar 100 postos de trabalho. Esse número já foi significativamente excedido. Só este ano já contratámos quase 90 pessoas, pelo que o aumento de emprego que viemos gerar é bastante relevante. Mais do que empregarmos pessoas da região, focamo-nos também no seu bem-estar. Para além do seguro de saúde, oferecemos vários serviços médicos no nosso Espaço Saúde. Para nós, o bem-estar das nossas pessoas é fundamental e a WEG tem implementado o programa Viver Bem, que se articula com as nossas políticas de segurança, extremamente rigorosas, porque na WEG é inaceitável que alguém venha trabalhar e saia magoado ou mesmo não saia. Este é um compromisso de grande relevância com a sociedade. Numa segunda dimensão, pretendemos impactar positivamente o meio ambiente. A WEG tem como objetivo estratégico reduzir a pegada de emissão de gases com efeito de estufa em 52% até

2030 e atingir neutralidade carbónica em 2050, tendo 2021 como ano de referência. No final de 2024, a nossa unidade já alcançou 68% de redução, ultrapassando assim o primeiro objetivo. Como conseguimos isto? Através da contratação de energia elétrica 100% renovável e usando praticamente apenas equipamentos elétricos. Já instalámos painéis fotovoltaicos em metade do parque e estamos a preparar a instalação de um sistema de baterias para armazenamento da energia produzida, todas soluções desenvolvidas pela WEG. Da nossa frota de veículos, a maioria é elétrica ou híbrida. No exterior, temos um programa de Responsabilidade Social com várias iniciativas, sobretudo focadas na comunidade local. Ainda recentemente realizámos uma Caminhada Solidária, a favor do Centro Social e Paroquial de Santa Cristina do Couto, que contou com mais de 150 inscritos. Além disso, promovemos campanhas de recolha de brinquedos, roupa e alimentos e dádivas de sangue. Todas estas ações visam ajudar as nossas pessoas, muitas ainda não naturais de Santo Tirso, a conhecer e a integrar-se na região.

por Sara Lopes

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