O dia 28 de abril de 2026 foi um marco de mudança de paradigma para a nossa empresa. A Fluidotronica abriu as portas das suas instalações em Oliveira de Azeméis para um Open House que reuniu algumas das empresas mais representativas da indústria nacional, com um propósito claro: demonstrar, sem filtros e sem guiões ensaiados, como a Inteligência Artificial está a transformar a forma como os robots industriais são programados e operados.
A iniciativa nasceu de uma parceria com a Trener Robotics, empresa dedicada ao desenvolvimento de software de competências robóticas baseado em Inteligência Artificial para a indústria. O resultado foi um dia que combinou rigor técnico com abertura genuína, onde quem chegou teve a oportunidade de ver a plataforma Acteris a funcionar em condições reais, para além de conhecer mais pormenorizadamente as instalações da Fluidotronica, visitar o showroom e conhecer a equipa de forma mais pessoal.
Com mais de duas décadas de atividade, a Fluidotronica consolidou-se como um parceiro tecnológico de referência no domínio da automação industrial. O seu percurso começou em 2004 com o foco na comercialização de produtos de automação, mas rapidamente a empresa percebeu que o mercado exigia mais do que produtos: exigia soluções globais, pensadas do início ao fim, adaptadas às necessidades reais de cada cliente.

Hoje, a Fluidotronica atua em múltiplas vertentes, desde a robótica colaborativa e industrial até aos sistemas de visão, manipulação, transportadores e ao desenvolvimento de células robotizadas e linhas de produção chave-na-mão. O setor automóvel, com os seus padrões de exigência e qualidade, tem sido um dos principais contextos onde a empresa afirma a sua presença, mas a sua atuação estende-se a outros segmentos da indústria transformadora nacional.
O contexto em que a Fluidotronica opera é cada vez mais desafiante. A pressão pela competitividade global, a escassez de mão-de-obra qualificada, a necessidade de aumentar a produtividade sem aumentar proporcionalmente os custos operacionais, tudo isto converge para uma realidade em que a automação deixou de ser uma opção e passou a ser uma resposta estratégica incontornável. É neste enquadramento que a decisão de organizar um Open House dedicado à plataforma Acteris fez todo o sentido.
A Trener Robotics, anteriormente conhecida como T-Robotics, foi fundada em 2024 pelos investigadores Asad Tirmizi e Lars Tingelstad, com o objetivo de desenvolver uma camada de inteligência que tornasse os robots industriais mais adaptáveis, resilientes e genuinamente preparados para operar em contextos produtivos reais e diversificados. A empresa rapidamente demonstrou um dinamismo notável: em 2025 colaborava já com mais de quinze parceiros de soluções e integração na Europa e nos Estados Unidos, integrando marcas líderes como a ABB, a Universal Robots e a FANUC na sua plataforma Acteris.
O que distingue a Acteris no panorama atual da automação industrial é precisamente a forma como aborda um problema que durante décadas foi aceite como uma limitação estrutural do setor: a necessidade de programação especializada para qualquer tarefa robotizada. Programar um robot industrial exigia, até há pouco tempo, conhecimento técnico aprofundado, longos ciclos de desenvolvimento e um esforço de reconfiguração significativo sempre que as condições de produção se alteravam. A Acteris propõe uma rutura com este modelo.
A plataforma funciona como uma camada de inteligência agnóstica ao fabricante do robot, o que significa que pode ser implementada em equipamentos já existentes, independentemente da marca ou do modelo. Em vez de programação procedimental baseada em código, a Acteris permite que os operadores descrevam, em linguagem natural, as tarefas que pretendem automatizar. Essas instruções são traduzidas pela plataforma em fluxos de automação executáveis, com recurso a Inteligência Artificial física que combina visão, linguagem e movimento.
Open House: demonstração em ambiente real
O Open House do dia 28 de abril não foi concebido como um evento de apresentação comercial. O objetivo foi outro: criar um espaço de observação e diálogo onde os responsáveis técnicos e de operações de empresas industriais pudessem ver a Acteris a funcionar nas instalações da Fluidotronica, em condições que refletem o que acontece no chão de fábrica.
Ao longo do dia, os visitantes acompanharam de perto as capacidades da plataforma, desde a interface de linguagem natural que permite instruir o robot sem recurso a código, até à identificação e manipulação de peças com recurso a visão computacional, passando pela capacidade de adaptação em tempo real a variações nos componentes e nos ambientes de produção. A demonstração evidenciou também a dimensão de simulação de alta fidelidade integrada na plataforma, que permite antecipar o comportamento do sistema antes da implementação efetiva na linha de produção.
Por Fluidotronica
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