Uma centena de organizações da sociedade civil pedem aos líderes mundiais e da indústria, que reconheçam urgentemente os verdadeiros danos ambientais da Inteligência Artificial (IA) na cimeira de IA de Paris que começou no dia 10 de fevereiro.
As organizações já entregaram a carta aos organizadores da cimeira ‘AI Action Summit’, que decorre de 10 a 11 de fevereiro em Paris, apresentando quinze exigências e sugerindo caminhos práticos e o mínimo necessário para mitigar os danos contínuos da IA nas economias, sociedades e planeta.
Na missiva apelam aos decisores para que dediquem todos os meios necessários para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis em toda a cadeia de abastecimento da IA, e alertam para a urgência de pensar nos danos ambientais da IA e agir sem grandes demoras. Na carta defendem que é crucial ter participação pública nas decisões sobre aquilo para que é utilizada a computação e em que condições, destacando que o ativismo climático e ambiental não deve ser criminalizado. Também lembram que a transparência deve ser significativa e que a informação publicamente acessível sobre as implicações sociais e ambientais da infraestrutura de IA proposta deve ser fornecida ao público antes de esta ser construída ou dimensionada. “Os signatários reforçam a necessidade de rejeitar soluções falsas e enganosas e, em vez disso, oferecer caminhos práticos para alinhar a IA dentro dos limites planetários”, destacam.
A IA nunca poderá ser uma solução climática se funcionar com combustíveis fósseis e for utilizada para extrair petróleo e gás, alertam, constatando que a crescente procura de eletricidade está a levar as infraestruturas energéticas ao seu limite, prolongando e intensificando a dependência dos combustíveis fósseis, agravando os impactos climáticos e prejudicando compromissos para limitar o aquecimento global.
Os signatários da carta frisam ainda que a infraestrutura de IA, como os centros de dados, deve ser alimentada por energia renovável nova e adicional que suporte uma transição energética mais ampla.
As organizações que assinaram a carta são das áreas da justiça ambiental e climática, direitos humanos, tecnologia e infraestruturas de código aberto, direitos digitais, tecnologia feminista, ou federações como a Beyond Fossil Fuels, Climate Action Network (CAN) Europe, ECOS e European Environmental Bureau.
Outros subscritores, segundo a associação ambientalista Zero, são a AI Now, Athena Coalition, European Digital Rights (EDRi), Amnistia Internacional, Association for Progressive Communications (APC) e La Quadrature du Net.
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