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Pilz e a segurança industrial perante o Regulamento de Máquinas da UE

Pilz e a nova era da segurança industrial perante o Regulamento de Máquinas da UE

A convergência entre Safety e Security, a cibersegurança industrial e a digitalização do ciclo de vida das máquinas marcaram a conferência anual da Pilz, que antecipou os principais desafios da indústria perante a entrada em vigor do novo Regulamento de Máquinas da União Europeia em 2027.

A poucos meses da entrada em vigor do novo Regulamento de Máquinas da União Europeia, prevista para janeiro de 2027, a Pilz defende uma nova abordagem à segurança industrial, na qual a cibersegurança deixa de ser um complemento para assumir um papel essencial na proteção das pessoas, das máquinas e dos processos industriais.

Uma mudança de paradigma na automação industrial

Num contexto em que a conetividade digital e a integração de sistemas inteligentes se tornaram motores da produtividade industrial, a noção de segurança experimentou uma transformação profunda.

Durante décadas, a proteção no âmbito do trabalho industrial focou-se quase exclusivamente na prevenção de acidentes físicos diretos: salvaguardar o operador através de barreiras mecânicas, paragens de emergência e sensores de segurança. No entanto, na era da fábrica hiperconectada, esta visão unidimensional ficou completamente obsoleta. Foi neste contexto que a Pilz reuniu clientes, parceiros e comunicação social na sua conferência anual, dedicada aos desafios técnicos, normativos e tecnológicos que irão marcar o futuro da automação industrial.

Moderada por Cathrin Kröll, Vice President Global Marketing, a sessão reuniu os principais líderes e especialistas da empresa para expor os desafios normativos, técnicos e organizacionais que o tecido industrial europeu e global enfrentará nos próximos anos.

Na abertura da conferência, Susanne Kunschert destacou que, e que o objetivo principal da firma é oferecer valor acrescentado e fomentar um diálogo construtivo sobre o futuro da indústria com toda a comunidade profissional internacional. “O nosso objetivo é oferecer valor acrescentado e fomentar o diálogo sobre o futuro da nossa indústria. Este intercâmbio demonstrou mais uma vez quão estreitamente conectada está a comunidade profissional internacional”, acrescentou Susanne Kunschert, Managing Partner da Pilz.

Susanne Kunschert e Thomas Pilz
Susanne Kunschert e Thomas Pilz

À medida que as máquinas se tornam mais conectadas, recorrendo à cloud, ao telediagnóstico e à troca permanente de dados, a segurança funcional deixou de poder ser encarada de forma independente da cibersegurança. Para a Pilz, proteger pessoas e equipamentos passa também por garantir que os sistemas estejam protegidos contra manipulações externas e ciberataques.

O conceito integral de Sicherheit: Safety e Security como duas faces da mesma moeda

Um dos conceitos centrais apresentados pela Pilz durante a conferência foi Sicherheit, um termo alemão que reúne num único conceito aquilo que habitualmente se distingue entre segurança funcional (Safety) e cibersegurança (Security). Ao contrário do inglês ou das línguas românicas, que diferenciam explicitamente estas duas dimensões, o vocábulo alemão engloba ambas sob um único conceito.

Na sua intervenção, Thomas Pilz explicou que esta distinção terminológica deixa de fazer sentido perante a realidade da indústria atual. As máquinas industriais interligadas exigem uma abordagem onde ambas as vertentes atuem de forma simultânea e indissociável. “A proteção das pessoas e da maquinaria começará onde a cibersegurança (security) e a segurança funcional (safety) andarem de mãos dadas. A segurança funcional e a cibersegurança são duas faces da mesma moeda”, indicou Thomas Pilz, Managing Partner da Pilz.

Segundo Thomas Pilz, o propósito fundamental das funções de segurança é garantir ao trabalhador que opera junto à máquina que não sofrerá nenhum dano físico. No entanto, num ambiente digitalizado, uma vulnerabilidade no sistema de cibersegurança pode anular por completo os mecanismos de paragem de emergência ou a lógica dos sensores físicos, deixando o operador totalmente exposto. Assim, a cibersegurança deixa de ser um assunto puramente informático ou do departamento TI para se tornar um pilar direto da segurança no trabalho.

A Inteligência Artificial foi igualmente um dos temas em destaque durante a conferência. Thomas Pilz referiu exemplos de agentes de IA desenvolvidos para identificar vulnerabilidades em redes que acabaram por executar ações não previstas contra outros sistemas. No contexto industrial, explicou, este tipo de situações reforça a necessidade de integrar mecanismos robustos de cibersegurança que garantam que a IA permanece dentro dos limites para os quais foi concebida, sem comprometer a segurança das pessoas nem dos equipamentos.

O quadro regulatório iminente: o Regulamento de Máquinas da UE e a data limite de 2027

A adoção desta nova abordagem à segurança industrial está também a ser impulsionada pela evolução do enquadramento legislativo europeu. Um dos principais temas da conferência foi a entrada em vigor do novo Regulamento de Máquinas da União Europeia, prevista para 20 de janeiro de 2027.

Jürgen Bukovski explicou quais são as implicações legais e operacionais desta transformação regulatória. Ao contrário da antiga diretiva de máquinas, que permitia variações de interpretação nas legislações nacionais dos Estados-Membros, o Regulamento de Máquinas é um instrumento jurídico de aplicação direta e estrita em toda a UE. “A legislação atual na Europa mostra que a cibersegurança já não é uma opção, mas sim um requisito obrigatório. A cibersegurança será um fator competitivo chave”, acrescentou Jürgen Bukovski.

Mudanças chave e implicações práticas do Regulamento

Jürgen Bukovski, Senior Manager, Consulting & Services Operations da Pilz, explicou que o novo regulamento introduz alterações significativas para fabricantes, integradores e utilizadores de máquinas. Entre as principais novidades destaca-se a integração explícita de requisitos de cibersegurança como condição para a conformidade técnica e para a marcação CE. A nova legislação determina igualmente que toda a documentação técnica passe a estar disponível em formato digital, devendo fabricantes e operadores garantir a sua disponibilidade durante um período mínimo de dez anos. Além disso, estabelece que qualquer integrador ou utilizador que introduza alterações substanciais numa máquina existente poderá assumir legalmente o papel de fabricante, ficando responsável por todo o processo de avaliação da conformidade.

Arquitetura técnica de segurança: segmentação, “Zonas e Condutas” e separação de sistemas

Perante as novas exigências regulamentares, Andreas Willert, Head of Industrial Security, da Pilz Austria, apresentou a arquitetura técnica que, na sua perspetiva, permitirá garantir a proteção das funções de segurança mesmo em ambientes industriais altamente conectados.

Durante a sua apresentação, Villot destacou o princípio Security for Safety, defendendo que uma função de segurança só pode ser considerada fiável se estiver devidamente protegida contra manipulações ou acessos não autorizados. Para isso, a Pilz apoia-se na norma internacional IEC 62443 e acompanha igualmente o desenvolvimento da futura norma EN 5742, cuja publicação está prevista para novembro de 2026. “A Pilz defende uma separação estrita da segurança e da automação standard. Quanto maior for a separação entre as funções de segurança e a rede de produção, melhor protegidas estarão”, enfatizou Andreas Willert.

Princípios da arquitetura técnica de segurança

Esta arquitetura assenta no conceito de Zones and Conduits, que consiste em dividir o sistema de produção em diferentes zonas lógicas e físicas, controlando rigorosamente as comunicações entre elas. O objetivo é implementar uma estratégia de “defesa em profundidade“, reduzindo a superfície de ataque. Paralelamente, a Pilz defende a separação entre as funções de segurança e a automação convencional, recorrendo a hardware dedicado para garantir que falhas ou atualizações do sistema de produção não afetem a lógica de segurança. A arquitetura permite ainda disponibilizar informação de diagnóstico aos sistemas de controlo sem comprometer a integridade das funções de segurança.

Como exemplo desta abordagem, Andreas Willert referiu os relés de segurança PNOZ e myPNOZ. Por não dependerem de uma ligação direta à rede para executar as suas funções de segurança, estes equipamentos oferecem uma elevada resistência a ataques remotos, sendo particularmente adequados para aplicações críticas.

Por Isabel Martins

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