O setor elétrico enfrenta aqui uma dupla problemática que protagoniza os debates sobre os seus desafios atuais: por um lado, o relevo geracional; por outro, a atração e retenção de talento.
As novas tecnologias, a digitalização e, naturalmente, a sustentabilidade estão a transformar todos os setores produtivos, sem exceção. Podemos afirmar que estamos a viver a “revolução das competências”, na qual a aprendizagem permanente ao longo da vida se tornou imprescindível. No caso do setor elétrico, à medida que os profissionais mais experientes se reformam, é fundamental garantir que os seus conhecimentos e competências são transmitidos a uma nova geração que ainda é escassa em número. Por isso, atrair jovens talentos torna-se essencial para assegurar a inovação e a sustentabilidade – e ainda mais num setor onde o talento é muito disputado.
Relevo geracional e atração de talento no setor elétrico
O setor elétrico apresenta-se como um pilar fundamental da sociedade moderna, especialmente no caminho da transição energética. No entanto, nos últimos anos, o relevo geracional e a atração de talento jovem têm sido algumas das principais preocupações.
Como possíveis causas da escassez de mão-de-obra, destacam-se o envelhecimento da força de trabalho do setor e a perceção de que este não é suficientemente atrativo para os jovens profissionais. A falta de visibilidade sobre o setor alimenta esta dificuldade de atração e evidencia ainda mais a necessidade de modernizar e valorizar a sua imagem.
Neste contexto, os fabricantes de tecnologia assumem um papel cada vez mais estratégico. Deixaram de ser apenas fornecedores de produto para se tornarem atores centrais no desenvolvimento, qualificação e valorização do talento técnico, em particular instaladores, integradores e outros profissionais do canal elétrico. Ao apoiar a formação, a certificação e o acompanhamento no terreno, contribuem para elevar o nível de profissionalização do ecossistema e tornar o setor mais atrativo para as novas gerações.
Para além disso, outro fator a considerar é que o setor evolui a um ritmo frenético do ponto de vista tecnológico. Isto cria uma lacuna de competências que aumenta todos os dias, pelo que a formação contínua proporcionada pelas empresas e a especialização dos profissionais também entram em jogo.
Para as empresas conseguirem superar estes desafios, o primeiro passo passa por implementarem iniciativas estratégicas. Algumas propostas interessantes a considerar são estabelecer programas de mentoria, nos quais os profissionais mais experientes possam orientar os recém-chegados à empresa e assim facilitar a transferência de conhecimento; e a colaboração com instituições de ensino, que pode ajudar a desenhar currículos que reflitam as necessidades atuais do setor, promover estágios que ofereçam experiência prática e reduzir eventualmente a escassez de mão-de-obra qualificada. A presença ativa em escolas, centros de formação profissional e universidades, através de palestras, programas de sensibilização para as disciplinas STEM e iniciativas que combatem estereótipos de género, ajuda a despertar vocações desde cedo e a posicionar as profissões técnicas como caminhos de futuro com impacto real na transição energética e na digitalização da economia.
É também muito importante promover a inovação, destacando projetos inovadores dentro do setor (energia renovável, digitalização, casas conetadas…) para captar o interesse dos mais jovens. Fomentar a visibilidade do setor é também muito importante, permitindo que as novas gerações conheçam a existência das profissões da indústria e as oportunidades de emprego que representam.
Finalmente, mas não menos importante, é também dar visibilidade à sustentabilidade: as novas gerações parecem estar mais sensibilizadas para este tema, pelo que comunicar como o setor pode contribuir para a sustentabilidade e para o combate às alterações climáticas pode ser um fator motivador e ajudar a atrair talento alinhado com estes valores.
Retenção de talento: outro grande desafio do setor
Depois de alcançado o principal objetivo – atrair novos talentos –, a retenção de talento no setor elétrico passa a ser um desafio crucial. Nesse sentido, as empresas devem ser capazes de criar um ambiente que promova o desenvolvimento profissional e pessoal.
Para isso importa considerar diferentes aspetos, como o facto de as novas gerações valorizarem cada vez mais condições que não se resumem apenas ao salário. Por exemplo, tornar o trabalho mais atrativo através da melhoria das condições laborais e promover uma maior conciliação entre vida pessoal e profissional.
Carolina Gomes
HR Manager Portugal, Schneider Electric
Para ler o artigo completo faça a subscrição da revista e obtenha gratuitamente o link de download da revista “robótica” nº142. Pode também solicitar apenas este artigo através do email: a.pereira@cie-comunicacao.pt
Outros artigos relacionados
- Artigo “Produtividade, conhecimentos e competências” da edição 132 da revista Robótica;
- Artigo “Apostar nas competências para o reforço da produtividade na metalomecânica” da edição 129 da revista Robótica;


