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Retrofitting de uma prensa de pratos quentes

Retrofitting de uma prensa de pratos quentes

Uma prensa de pratos quentes é um equipamento dotado de pratos metálicos (normalmente, um superior e um inferior) que aquecem (via resistências elétricas embutidas) e são pressionados um contra o outro (no caso, hidraulicamente) para diversos fins: compactar, moldar, colar superfícies. São amplamente utilizadas nas indústrias de madeira, plástico, borracha e têxtil.

Modo de funcionamento

Prensas como a do PIEP podem chegar até perto dos 400 °C e suscitar cerca de 80 Ton de carga efetiva. O seu objetivo principal passa por cumprir ciclos térmicos controlados, garantindo uma distribuição uniforme de calor e carga. O processo de aplicação de temperatura e pressão é iterativo e controlado por módulos de PID (Proportional Integral Derivative) que “direcionam” constantemente os atuadores para os valores definidos. Na prática, os pratos da prensa são aquecidos até temperaturas conhecidas de termoformação/fusão dos materiais a processar, e mantidos sob pressão durante um intervalo de tempo específico. Segue-se a fase de arrefecimento, que pode ser auxiliada por um sistema de circulação de água, para otimizar a estabilização da temperatura mínima. O resultando é uma peça rígida, da forma do molde que é aplicado.

Processo de fabrico de placa na prensa de pratos quentes do PIEP.
Figura 1. Ilustração do processo de fabrico de placa na prensa de pratos quentes do PIEP.

Vantagens do processo de fabrico

Uma das grandes vantagens deste processo é a variedade de materiais com que permite trabalhar (desde compósitos, termoendurecíveis, termoplásticos, elastómeros, espumas, e até mesmo orgânicos).

No PIEP, a prensa de pratos quentes desempenha um papel essencial no desenvolvimento de soluções inovadoras para a valorização de materiais em fim de vida. Possibilita explorar novas abordagens de combinação e reutilização de plásticos e outros, inclusive elementos naturais.

Placas isoladoras para parede de interior
Placas isoladoras para parede de interior
(termoplástico + resíduos têxteis).
Placa para revestimento interno decorativo
Placa para revestimento interno decorativo
(termoplástico + algas).

Figura 2. Exemplos de placas fabricadas na prensa de pratos quentes do PIEP, a partir de material reciclado ou orgânico.

Por que foi necessário o retrofitting

O equipamento no qual assenta este caso de estudo data a sua produção de 1982 – uma época em que a tecnologia era essencialmente analógica e apresentava fortes limitações de operação. O seu controlo exigia intervenção manual constante, através de botões físicos, e não possuía qualquer sistema de registo de parâmetros (pré-processo) ou de armazenamento de dados (pós-processo) para análise do desempenho – o que tornava o equipamento fortemente dependente da atuação humana e reduzia a sua repetibilidade e fiabilidade.

Áreas de intervenção

Para ultrapassar estas limitações e prolongar a vida útil desta prensa, foi levada a cabo uma intervenção de retrofitting* assente nestes 3 pilares da Indústria 4.0:

  • Digitalização: na conversão dos valores analógicos para digitais e no armazenamento destes, viabilizando a análise do processo; e na criação de uma dashboard de controlo e monitorização;
  • Automação: na inclusão de um dispositivo industrial dedicado, para habilitar ciclos automatizados;
  • Programação: na criação do programa ladder (PLC) e do backend e frontend da dashboard.

Alterações efetivas

Como resultado, no exterior do quadro elétrico foi adaptada uma HMI (Human-Machine Interface), substituindo os botões por um ecrã tátil, e no interior um PLC (Programmable Logic Controller), substituindo relés por um autómato. Manteve-se a maioria da estrutura eletrónica antiga, acrescentando apenas os componentes necessários ao retrofitting, e modificando as ligações de forma a serem completamente compatíveis com os novos controladores instalados.

*Retrofitting refere-se à atualização de um equipamento antiquado, dotando-o de tecnologias contemporâneas.

Emanuel Silva, Catarina Gil Carvalho, Carlos Ribeiro
PIEP – Pólo de Inovação em Engenharia de Polímeros

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