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RoboParty, um legado construído sobre pequenos robots

Tudo começou com um pedido muito simples: “venha dar uma palestra de robótica aqui à escola”. Mas o número de escolas a fazer esse pedido aumentou de tal forma que Fernando Ribeiro, docente da Universidade do Minho, decidiu olhar para a situação de outra forma: ao invés de se dividir por todos os pedidos, escolheu organizar um dia em que todas as escolas interessadas pudessem vir ao seu encontro e aprender como se constrói um robot móvel. Foi assim que nasceu a ideia da RoboParty.

Fernando Ribeiro na RoboParty
Fernando Ribeiro

Na primeira edição, a RoboParty foi pensada em pequena escala. Era suposto ser um dia, onde o conhecimento era transmitido aos professores, que depois o iriam levar até aos seus alunos. Mas o interesse pela área era ainda maior do que Fernando Ribeiro imaginava. Foi criado um website para registos, que em apenas uma semana e meia, já contava com 106 inscrições. ”Estava no programa Curto Circuito quando recebi uma chamada, onde me disseram o número de inscritos. Fui logo a correr fechar o website porque não tínhamos condições para receber tanta gente numa sala de aula”, relembrou Fernando Ribeiro. Depois do pânico inicial, foi preciso reinventar o conceito do evento. Trocou-se a sala de aula pelo pavilhão desportivo do campus de Azurém da Universidade do Minho, encontraram-se opções de dormida e de refeições gratuitas para os participantes, pensaram-se nas atividades que se podiam fazer e desde então a RoboParty foi crescendo para o que é hoje. A primeira edição foi em 2007 e, apesar de muito ter mudado nas últimas duas décadas, a RoboParty mantém-se um sucesso entre os participantes.

Tendo acontecido de 25 a 27 de março, a RoboParty de 2026 deveria marcar a 20.ª edição do certame. Contudo, forçado a fazer uma pausa durante 2 anos por causa do Covid, o festival educativo de robótica celebrou a sua 18.ª edição este ano. Organizado pelo Laboratório de Automação e Robótica da Universidade do Minho, em parceria com a botnroll.com, uma spin-off da mesma, a RoboParty 2026 reuniu 420 jovens, distribuídos por 105 equipas, vindos de todo o país e ainda de Espanha e dos Países Baixos. Esta diversidade de nacionalidades de participantes, no entanto, não é nova. “No primeiro ano não tivemos equipas estrangeiras, mas desde então já tivemos equipas, 3 anos seguidos, da Dinamarca, por exemplo. No ano passado tivemos 10 equipas do Brasil. Já vieram de Moçambique, dos Estados Unidos, da Alemanha, da China”, explicou Fernando Ribeiro.

Mas voltemos a 2007, o ano em que tudo começou. O robot preparado para a 1.ª RoboParty era muito simples, em termos de estética e de plataforma. A estimativa é que os participantes deveriam demorar 3 dias a construí-lo. “Qual foi a nossa surpresa quando ao fim do primeiro dia já estava montado?”, partilhou o professor. Novamente em pânico, chegou a altura de voltar a ser criativo. “Começamos a planear desafios, para os participantes também puderem perceber como funcionavam os robots. Um deles usava infravermelhos, onde o robot tinha que se dirigir até uma parede e o que parasse mais perto sem tocar era o vencedor. Depois pusemos uma fita isoladora preta no chão, para ver quem conseguia seguir melhor essa linha, e pensamos ainda num que juntava várias equipas. Foi tudo planeado na hora. Uma verdadeira azáfama”, continuou.

Com o principal objetivo de passar conhecimento, o intuito da RoboParty nunca foi competitivo, mas sim pedagógico. Os 3 dias foram exaustivos e, quando terminaram, Fernando Ribeiro pensava que tinha acabado, quando foi surpreendido por uma chamada telefónica onde lhe disseram: “Nós não conseguimos participar. Quando vai ser a próxima RoboParty?”. Assim, foi organizada a segunda edição e “nunca mais conseguimos parar porque temos sempre casa cheia”, disse o organizador com orgulho. O reconhecimento da importância deste evento é de tal forma grande que o também atual Presidente da Sociedade Portuguesa de Robótica já foi convidado a levar a RoboParty até à Lisbon Games Week por três vezes e a outros países, como o Brasil (em 2014), a Alemanha (em 2016), o Canadá (em 2018) e a Dinamarca (em 2019).

montagem de circuito na RoboParty

Foi um pouco assim que a RoboParty surgiu, mas depois fomos adaptando”, disse Fernando Ribeiro. Começou por ser o único docente responsável pela organização do evento até 2009, altura em que Gil Lopes se juntou ao projeto. Já a botnroll.com completa o grupo de organização desde a primeira edição. “Somos para aí 30 pessoas a organizar tudo. Sem eles, nada seria possível. Para além disso, contamos com a ajuda imprescindível de um grupo de 60-70 voluntários, na sua maioria alunos de Eletrónica Industrial”, continuou. Com a dimensão do certame, era impossível realizar a RoboParty sem esta força de trabalho que Fernando Ribeiro tanto celebra. “Não é só sobre refeições, nem sobre a construção de robots. É fazer manuais, fazer as regras para as provas, construir as pistas e planear as provas desportivas. A logística é realmente bastante complexa”, disse. Enquanto a primeira edição contou com um grupo de alunos que tinham feito parte do staff do Festival Nacional de Robótica de 2006, hoje em dia o processo é simples: “eu abro o website das inscrições no dia x às 20h e em 15, 20 minutos, eu fecho o website porque já atingimos o limite. Eu sou muito feliz por isso”, confessou.

Nesse sentido, não foi surpreendente quando a edição de 2026 da RoboParty contou com 80 voluntários. Também não foram novidades as atividades lúdicas e desportivas, características deste certame, como os torneios de ténis de mesa, voleibol, basquetebol, xadrez e o peddy paper pela cidade. Estes tipos de atividades vêm complementar os dias da RoboParty desde a primeira edição, onde aconteceram demonstrações de karaté e de capoeira, triatlo indoor, karaoke e aeromodelismo. Desde então, já houve horse riding, mergulho com botija, arco e flecha, danças de salão e muito mais. “Isto é uma experiência para eles”, reconheceu Fernando Ribeiro.

por Sara Lopes

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