Este receio não é novo; é apenas a versão mais recente de histórias que contamos a nós próprios desde que os luditas destruíram teares no século XIX, apesar de o resultado disso ter sido a criação de mais empregos e grande prosperidade. Hoje, alimentar medos semelhantes em relação à robótica está igualmente ultrapassado. A realidade é que as empresas que não a adotarem não estão a salvaguardar empregos; estão a colocá-los em risco.
Olhemos para a robótica como realmente é: o catalisador para um melhor trabalho, operações mais inteligentes e negócios mais sólidos. Os robots, e mais especificamente os robots colaborativos (cobots), reforçam e capacitam as pessoas para que se foquem em tarefas de maior valor, enquanto a automação trata do resto. As empresas que compreendem isto e investem em conformidade vão prosperar nesta nova era industrial; as que não o fizerem vão ficar a ver de fora enquanto os seus concorrentes avançam.
A robótica não é o inimigo – é a solução
O panorama industrial mudou: a escassez de mão-de-obra, as lacunas de competências, a volatilidade nas cadeias de abastecimento e uma maior exigência de flexibilidade são a nova realidade. A robótica deixou de ser um elemento opcional para se tornar um pilar fundamental das empresas resilientes e competitivas, ajudando-as a retirar pessoas de ambientes perigosos, eliminar tarefas repetitivas e aborrecidas e realocar o talento para tarefas de maior valor acrescentado.
De acordo com um estudo do Manufacturing Institute e da Deloitte, os EUA enfrentam um défice de mais de dois milhões de colaboradores na indústria transformadora, um número que deverá ultrapassar os três milhões na próxima década. Não podemos resolver isto apenas com mão-de-obra, porque não há pessoas suficientes; e os aumentos salariais, por si só, também não resolvem o problema. A robótica, e especificamente os cobots, oferecem um caminho fundamental para o futuro, complementando o trabalho humano onde é mais necessário e ajudando os fabricantes a manter-se competitivos apesar da redução da força de trabalho.
Vemos esta realidade diariamente com os nossos clientes nas áreas da indústria, logística e infraestruturas críticas. A robótica oferece aquilo que o mercado moderno exige: mudanças mais rápidas, maior precisão, mais segurança e maior produtividade – tudo isto enquanto apoia uma força de trabalho pressionada por mudanças demográficas e novas expectativas. Desde cobots a sistemas avançados de movimento, a tecnologia já está a transformar setores que antes resistiam à mudança. As empresas que adotam a robótica podem incorporar flexibilidade no seu ADN e proteger-se contra futuras disrupções.

Os robots tornam as pessoas melhores
Temos de ignorar a narrativa de ficção científica de “máquinas contra humanos”: não é assim que a automação moderna funciona, nem é assim que as empresas têm sucesso. A robótica baseia-se na colaboração entre pessoas e máquinas para ampliar as capacidades humanas, aumentar a produtividade e gerar melhores resultados para todos.
A robótica assume tarefas que esgotam o potencial humano, incluindo trabalhos repetitivos, fisicamente exigentes e que requerem elevada precisão. No fundo, liberta as pessoas para fazerem o trabalho que só os humanos conseguem fazer: resolução criativa de problemas, inovação e pensamento estratégico.
Deixo alguns exemplos:
- Na Smart Factory da Schneider Electric em Lexington, os robots colaborativos tratam de tarefas repetitivas de montagem, melhorando a ergonomia e aumentando a produtividade;
- Em Batam, na Indonésia, outra nossa fábrica inteligente utiliza automação robótica para reduzir os incidentes de qualidade em 40%, enquanto acelera a produção;
- A implementação de soluções robóticas e de gémeo digital EcoStruxure™ Machine nas máquinas automáticas de embalamento da ACMA habilitou sistemas de alimentação mais compactos, flexíveis e modulares, melhorando a produtividade, reduzindo o espaço ocupado e permitindo que os colaboradores passem de processos manuais repetitivos para tarefas de valor acrescentado.
Estes resultados mostram que, quando as pessoas e a robótica colaboram, os fabricantes conseguem um efeito multiplicador em termos de segurança, eficiência e desempenho.
Devemos pensar a robótica como pensamos a IA: quem aprender a trabalhar com estas tecnologias vai prosperar; quem se agarrar a funções ultrapassadas e resistir à adaptação ficará para trás. Os dados mostram claramente que as empresas que utilizam robótica registam maior satisfação dos colaboradores, maior retenção e maior agilidade operacional, e isto acontece precisamente porque as pessoas deixam de estar presas a tarefas mais adequadas para máquinas. Por outro lado, a automação revela-se economicamente eficiente, especialmente para pequenas e médias empresas com margens mais reduzidas e mais restrições de mão-de-obra.
Alexandre Monteiro
Industry Sales Specialist
Schneider Electric
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