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A experiência do Open de Robótica@ISEP

Uma competição educativa de robótica – a experiência do Open de Robótica@ISEP

Atualmente existe uma forte necessidade de motivar os estudantes a aprenderem disciplinas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Este é um problema que não se limita apenas aos níveis educacionais mais baixos, mas que também afeta as instituições de ensino superior.

Com esta ideia em mente, o Departamento de Engenharia Eletrotécnica do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) decidiu, em 2021, lançar uma competição de robótica com o objetivo de estimular o interesse dos estudantes nas áreas da robótica e da automação. Este evento, denominado Open de Robótica@ISEP, visa promover a sensibilização para as áreas da eletrónica, informática e robótica entre os estudantes, envolvendo-os na aplicação de técnicas e ferramentas práticas. O evento engloba três competições distintas de robótica, abrangendo tanto manipuladores industriais como robots móveis, e baseia-se em dois pilares principais:

(i) Competições de robótica;

(ii) Formação extracurricular em robótica, destinada a estudantes que desejam apoio para participar nestas competições.

Desde a sua 1.ª edição, o evento tem crescido e já alcançou uma dimensão internacional, tornando-se já um marco na vida académica do ISEP. Este artigo apresenta as motivações que levaram à criação deste evento, os seus principais aspetos organizacionais e as competições que o compõem, bem como alguns resultados obtidos com a experiência acumulada da sua organização.

Palavras-chave: Robótica Educacional, Competições de Robótica, Robots Industriais, Robots Móveis.

I. Introdução

A robótica educacional e as competições de robótica têm emergido como ferramentas poderosas para motivar os estudantes a explorar os campos da ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) [1]. Este ambiente incentiva os alunos a desenvolver ativamente o pensamento crítico, a capacidade de resolver problemas, o trabalho colaborativo e as competências de programação, aplicando conceitos abstratos a desafios do mundo real [1,2]. Assim, o Open de Robótica@ISEP foi criado para encorajar os estudantes a irem além da frequência das aulas, saindo da sua zona de conforto e desenvolvendo as competências anteriormente enumeradas.

A natureza interdisciplinar da robótica – que combina ciência, matemática, informática e tecnologia – permite que os alunos de todos os níveis construam novos conhecimentos e competências de forma ativa. As competições de robótica, inseridas em eventos como o programa FIRST[1] e o RoboCup[2], têm representado um esforço crescente dentro da comunidade académica para atrair estudantes para a educação STEM ao nível do ensino básico e secundário [3]. Estes programas reforçam o conhecimento teórico e promovem o desenvolvimento de competências transversais essenciais, como o trabalho em equipa, a criatividade e a comunicação [1], criando um excelente contexto para aplicar o conhecimento adquirido em desafios robóticos.

Em Portugal existem vários eventos e competições de robótica realizados anualmente, como a RoboParty[3], mais orientada para estudantes do ensino secundário, o Festival Nacional de Robótica (FNR)[4], mais abrangente, com competições a nível do ensino secundário e superior, e o AzoresBot[5], um evento educacional e competitivo direcionado a estudantes de diferentes escolas da Região Autónoma dos Açores.

momento de programação no Open de Robótica@ISEP

Uma questão que se pode colocar é o porquê de se criar o Open de Robótica@ISEP se já existem competições nacionais e internacionais que abordam desafios semelhantes na área da robótica? A resposta baseia-se na observação, feita ao longo de anos de docência no ensino superior, de que os alunos que chegam à universidade mantendo o mesmo perfil que tinham no ensino secundário, limitam-se a seguir o programa, estudar para os exames e concluir as unidades curriculares. Esta competição foi concebida precisamente para quebrar essa barreira, tirando os alunos da sua zona de conforto e desafiando-os a participar num evento que lhes permite aplicar o conhecimento adquirido durante o curso e desenvolver competências que nem sempre são exploradas nas aulas. Entre essas competências destacam-se a resiliência, o trabalho em equipa, o pensamento criativo e fora da “caixa” e a gestão do stress e da pressão da competição.


[1] https://first.global/pt/about/

[2] https://www.robocup.org/

[3] https://www.roboparty.org/RPGuimaraes/

[4] https://www.festivalnacionalrobotica.pt/

[5] https://azoresbot2025.uac.pt/

Manuel F. Silva, Manuel João Gonçalves, Pedro Guedes, Ramiro Barbosa
ISEP – Instituto Superior de Engenharia do Porto

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